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VW 1600: A História do Injustiçado "Zé do Caixão" que Virou Item de Colecionador

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Lançado no Salão do Automóvel de 1968, ele deveria ser a resposta da Volkswagen do Brasil para as famílias que precisavam de mais espaço e conforto, sem abrir mão da confiabilidade do motor a ar. Mas o destino tinha outros planos para o primeiro sedã quatro portas da marca no país.

Quando o executivo Rudolf Leiding assumiu a presidência da Volkswagen do Brasil no final dos anos 60, ele percebeu que a marca precisava diversificar. O Fusca e a Kombi vendiam como água, mas havia um vazio no segmento de carros para a classe média que exigia mais luxo. Nascia o "Projeto EA 97", que deu origem ao nosso VW 1600.



Por que o apelido "Zé do Caixão"?

O design do carro era revolucionário para a linha VW da época: totalmente quadrado, sem os tradicionais paralamas arredondados do Fusca. A frente trazia faróis retangulares inéditos e a traseira era "caída".

No Brasil da década de 60, as pessoas não estavam acostumadas com esse estilo reto (que já fazia sucesso na Europa). Bastou chegar às concessionárias para o brasileiro, sempre criativo, apelidá-lo de "Zé do Caixão". Os motivos? As maçanetas das portas, que lembravam alças de caixão de defunto, e as formas quadradas da carroceria. O famoso cineasta brasileiro José Mojica Marins, que encarnava o personagem Zé do Caixão, estava no auge da fama na época, o que ajudou a colar o apelido.

Inovação Mecânica e Conforto Inédito

Mas ignorando as piadas sobre o design, o VW 1600 era um carro formidável, repleto de características que até hoje impressionam os colecionadores:

1. O Espaço Interno: Para quem estava acostumado com o banco de trás apertado do Fusca, entrar em um VW 1600 era um luxo. Ele tinha assoalho quase plano e muito espaço para as pernas. As portas traseiras facilitavam enormemente o acesso da família.


2. A Dupla Carburação e o Motor "Plano": Ele foi o pioneiro em usar o motor 1600 cm³ com dupla carburação no Brasil (que depois equiparia o TL, Variant, Puma e SP2). Além disso, o motor tinha a ventoinha montada diretamente no virabrequim (o famoso "motor a ar plano" ou "motor de Variant"), o que reduzia a altura do compartimento traseiro.

3. Dois Porta-Malas: Graças a essa configuração do motor, o Zé do Caixão oferecia um porta-malas dianteiro de bom tamanho e um porta-malas menor atrás, em cima do motor. Era muito mais capacidade de bagagem que os concorrentes.

O Fim Precoce e a Glória Atual

Infelizmente, a rejeição ao estilo quadrado foi forte. Ele foi fabricado por pouquíssimo tempo (apenas três anos, saindo de linha em 1971), vendendo menos de 25 mil unidades. Além de ter perdido a briga interna de design, muitos exemplares foram destruídos por taxistas que compraram o carro aos montes (devido às quatro portas) e os rodaram até o fim da vida útil.



É exatamente por isso que hoje ele é um "Cisne". A baixa produção e a destruição da frota por taxistas fizeram do Zé do Caixão um dos Volkswagens mais raros e difíceis de se encontrar íntegros no Brasil. Restaure um hoje e você terá garantido o troféu de destaque em qualquer encontro de carros antigos que frequentar!

E você, o que achava do design do "Zé do Caixão"? Teria coragem de colocar um na sua garagem hoje? Comente abaixo!

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